FRENTE A FRENTE

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AGOSTINHO AMIGO

 

Agostinho foi sempre um fiel cultivador da amizade. Nunca quis nem conseguiu viver sozinho. Sua infância e adolescencia é marcada pelo cuidado de estar sempre ao lado de seus amigos. Seu primeiro amigo, sério e profundo,é de Tagaste ,Sua cidade de nascença, quando regressa de estudar retórica em Cartago e se ocupa como professor:¨Naqueles anos, no tempo em que pela primeira vez abri cátedra na cidade onde nasci, adquiri um amigo, a quem amei com excesso por ser condiscípulo meu, de minha idade e encontrar-mo-nos ambos na flor de nossa juventude¨(Conf. 4,4,7). Se desconhece o nome deste seu amigo tão especial mas sabemos que quem depois conquistou o coração de Agostinho foi Alípio confirmando uma amizade que vai além do tempo e das dificuldades.

Entre os amigos que marcaram a vida de Agostinho temos notícias de um outro que desconhecemos seu nome. Aconteceu que num certo dia este amigo adoeceu gravemente até ficar inconsciente; nestas circunstâncias administraram-lhe o sacramento do batismo. Logo melhorou e recobrou a consciência e Agostinho, imprudente, começou a caçoar e burlar-se do sacramento que tinha recebido esperando que o amigo fizesse o mesmo; mas este, olhando profundamente para ele pediu-lhe que se queria conservar sua amizade não continuasse falando tais coisas. Aos poucos dias este amigo voltou a adoecer com altas febres e veio falecer. Agostinho expressa com muito sentimento o sentido profundo desta amizade:¨Quanta dor escureceu meu coração! Quanto olhava era morte para mim! A pátria era um sacrifício e a casa de meu pai um tormento que não desejava sofrer...só o lamento me era doce...¨ (Conf.4,4,8s)

Além de Alípio que parece ocupou o espaço do amigo morto, Agostinho, fez outros amigos. Mas o que fazia com eles, entre eles? ¨Outras coisas que cativavam mais fortemente minha alma com eles era a conversão, o rir, servirmos mutuamente com agrado, ler juntos bons livros, brincarmos uns com os outros e desfrutar de sua companhia...Com estes sinais e outros semelhantes que procedem do coração dos amantes e amados, e que se manifestam com a boca, a língua, os olhos e outros mil movimentos graciosos, se derretem como em outros tantos incentivos, nossas almas e de muitas fazia uma só¨(Conf. 4,8,13).

Agostinho manifestou essa preferência de viver com seus amigos em todos os momentos importantes de sua vida: levou todos os seus amigos para Casiciaco, uma finca onde poder discutir e descobrir a Verdade e o Sentido das Coisas e da Vida, arrastou seus íntimos para o batismo como cume de seu encontro com Cristo, contagiou um bom grupo de amigos para viverem juntos e formar comunidade, assim mesmo, ainda bispo de Hipona, leva os freis do convento para viver com ele, para viver a fraternidade.

Para Agostinho a amizade é descoberta e partilha: é descobrir o amor de Deus. É descobrir-se profundamente amado por Deus que resgata as próprias misérias para fazê-las dígnas de redenção, é sublimidade, resgate das próprias cinzas, e assunção do divino que se encontra nós.Tal experiência de encarnação por parte de Deus, de bondade infinita e amor absoluto, por isso Agostinho entende que a amizade vem do amor e da partilha que fazem os amigos desse amor:¨A verdadeira amizade é fruto maduro de amor ao eterno e verdadeiro que se acontece na república cristã onde Cristo é o Rei. Essa amizade não se mede por interesses pessoais, senão que tem que ser gozada com amor gratuito. De fato, ninguém pode ser amigo do homem se não é amigo da verdade.¨(Epist.155,1)

A amizade se tornou um elemento essencial do carisma agostiniano. Para o Agostiniano Recoleto, para o seguidor de Agostinho, para os corações inquietos jovens viver a amizade se torna em marco referencial de vida. E aí, você quer ser meu amigo?

Frei João José Ormazabal, oar

Pároco